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Para reunir documentos para a aposentadoria, comece pelo extrato do CNIS no Meu INSS e pelas suas carteiras de trabalho. Esses dois itens mostram a maior parte do seu histórico e revelam o que está faltando. A partir deles, você busca documentos específicos para cada período com problema.
O pedido de aposentadoria é feito pelo Meu INSS ou pela central 135, e o INSS consulta seus próprios cadastros. Mesmo assim, documentos guardados por você fazem diferença quando o sistema tem dados incompletos.
Documentos pessoais
Separe documento de identidade com foto, CPF e comprovante de endereço. Se o nome mudou por casamento ou divórcio, a certidão correspondente ajuda a ligar registros antigos ao cadastro atual.
Confira se seus dados pessoais no CNIS estão corretos, como nome, data de nascimento e nome da mãe. Divergências cadastrais podem atrasar a análise.
Vínculos de emprego
Para empregados com carteira assinada, a Carteira de Trabalho física e a Carteira de Trabalho Digital são as provas principais. Guarde todas as carteiras antigas, inclusive as que estão danificadas.
Se um vínculo não aparece no CNIS ou aparece sem data de saída, documentos como termo de rescisão, recibos de salário, extrato do FGTS, ficha de registro de empregado e declarações da empresa podem ajudar.
Um exemplo geral: uma pessoa trabalhou dois anos em uma empresa que fechou. O vínculo aparece no CNIS apenas com a data de admissão. A carteira de trabalho e o extrato do FGTS podem ajudar a demonstrar a data de saída.
Contribuições como autônomo ou facultativo
Quem contribuiu por conta própria deve reunir carnês, Guias da Previdência Social, as GPS, e comprovantes de pagamento. Microempreendedores individuais podem consultar as guias pagas no Portal do Empreendedor, no gov.br.
Pagamentos feitos com código errado, em atraso ou abaixo do valor mínimo podem aparecer com pendências no CNIS. Nesses casos, os comprovantes ajudam a pedir a correção.
Períodos especiais, rurais, militares e no serviço público
Para atividades com exposição a agentes nocivos, o documento principal costuma ser o Perfil Profissiográfico Previdenciário, o PPP, emitido pela empresa. O Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho, o LTCAT, também pode ser relevante. As regras constam na Lei 8.213/1991 e no Decreto 3.048/1999.
Para trabalho rural em regime de economia familiar, a Lei 8.213/1991, com as mudanças da Lei 13.846/2019, prevê a autodeclaração do segurado especial, confirmada por bases de dados do governo e por documentos como notas de produtor, contratos de arrendamento e cadastros rurais.
Tempo de serviço militar e tempo em regime próprio de servidor público podem ser aproveitados por meio de certidões específicas, como a Certidão de Tempo de Contribuição, conforme as regras de contagem recíproca.
Decisões e pedidos anteriores
Se você já fez algum pedido ao INSS, guarde o número do protocolo, a carta de decisão e eventuais exigências. Essas informações mostram o que o INSS já analisou e o que foi recusado.
Processos trabalhistas que reconheceram vínculo ou salário também podem ter reflexo previdenciário, dependendo do conteúdo da decisão e das provas produzidas no processo.
Como comparar o CNIS com seus documentos
Coloque o extrato do CNIS ao lado das carteiras de trabalho e confira vínculo por vínculo: nome da empresa, data de admissão, data de saída e remunerações. Marque tudo o que estiver diferente ou ausente.
Depois, separe os documentos que comprovam cada divergência. Um período sem prova documental pode exigir outras providências, como declarações, pedidos à empresa ou busca em arquivos públicos.
O passo a passo dessa conferência está no artigo sobre como conferir o CNIS antes de pedir a aposentadoria.
Quando o documento não existe mais
Empresas fecham, carteiras se perdem e recibos antigos se deterioram. Mesmo assim, pode haver outros caminhos. Extratos do FGTS, registros sindicais, declarações de ex-colegas, certidões da Junta Comercial e processos trabalhistas antigos são exemplos de fontes que podem ajudar.
A lei previdenciária, em regra, exige início de prova material, ou seja, algum documento da época. Testemunhas, sozinhas, costumam não bastar para comprovar tempo de contribuição, conforme o artigo 55, parágrafo 3º, da Lei 8.213/1991.
Erros comuns
Jogar fora carteiras de trabalho antigas por achar que tudo já está no sistema é um erro frequente. Outro é entregar documentos originais sem guardar cópia.
Também é comum reunir muitos papéis sem ordem. Separar por período e por tipo de vínculo facilita a leitura e reduz o risco de um documento importante passar despercebido.
Fontes oficiais para consultar
No Meu INSS, com login gov.br, você encontra o extrato do CNIS, a relação de pedidos anteriores e as cartas de decisão. A Carteira de Trabalho Digital, também acessada pelo gov.br, mostra os vínculos registrados eletronicamente.
O extrato do FGTS pode ser consultado no aplicativo oficial do FGTS. Para períodos antigos, ele ajuda a confirmar datas de admissão e de saída.
As regras citadas podem ser lidas no Portal da Legislação do Planalto, especialmente a Lei 8.213/1991 e o Decreto 3.048/1999.
Checklist inicial
Lista básica: documento com foto e CPF; comprovante de endereço; extrato do CNIS; carteiras de trabalho; termos de rescisão e recibos antigos; carnês e guias de contribuição; PPP e laudos, se houver atividade especial; documentos rurais, se houver; certidões de tempo militar ou de serviço público; cartas e protocolos do INSS.
Organize esses documentos por período, do mais antigo ao mais recente. Assim fica fácil comparar o que está no CNIS com o que você tem em mãos.
O Carvalho Andrade Advogados atende em Santos/SP e por videochamada, e pode analisar esse material para indicar quais períodos precisam de atenção. A lista definitiva depende da trajetória de cada pessoa.
